Revolução da Reabilitação Oral

PRÓTESES QUE CONTAM HISTÓRIAS

Da primeira prótese aos sorrisos de hoje em dia

Nos últimos anos, as novas técnicas em Reabilitação Oral têm revolucionado os tratamentos e as soluções dentárias. Os dentistas agora têm ao seu dispor ferramentas cada vez mais eficazes, mas nem sempre foi assim e houve um caminho que nos trouxe até aos dias de hoje.

Origem: como tudo começou...

Para muitos historiadores, os Fenícios foram os verdadeiros precursores da Prótese dentária. Os dois exemplares mais antigos, descobertos por Gaillardot e Torrey, datam dos séculos IV e V a.C.

Uma delas, atualmente, encontra-se no Louvre. Trata-se de seis dentes, dois caninos e quatro incisivos, ligados por um fio de ouro puro com aproximadamente trinta centímetros de comprimento e um diâmetro extremamente fino. Para isto acontecer, os dentes eram perfurados e fixados por esta liga de ouro.

É de referir que os dentes de substituição tanto podiam ser de origem humana, como animal (principalmente, origem bovina - eram mais resistentes.)

Antiguidade: os verdadeiros primeiros passos

Este é um período que tem de ser dividido por quatro civilizações: 

Os Etruscos, Egípcios, Romanos e Maias.

Etruscos

Usavam dentes de animais para substituir os dentes que faltavam e armavam a estrutura removível com liga de ouro. A liga empregada era de ouro quase puro, fundido em lâminas espessas e resistentes para durarem com o passar dos anos.

Romanos

Com os Romanos, apareceu o marfim como novo material para fins protésicos. Os Romanos usaram próteses removíveis, mas havia também a prótese parcial fixa, com o mesmo princípio de ligações entre dentes como as já utilizadas por outros povos. Esta técnica dos Romanos permaneceu inalterada até à época do Renascimento.

Egípcios

O melhor exemplar egípcio está no Museu Roemer-Pelizaeus na cidade alemã de Hildeshein. Ele é um splint de fio de ouro exumado pelo professor H. Junker, no ano de 1914. Esta peça consiste numa estrutura de dois dentes ligados com fio de ouro. Do primeiro ao segundo molar. 

Maias

Os Maias incrustavam pedras preciosas nas cavidades das mandíbulas, principalmente nos incisivos superiores e inferiores e, em alguns casos, também nos primeiros molares. Para além disso, também utilizavam diretamente dentes vivos, transplantados de estruturas mais pobres da sociedade Maia.

Idade moderna: a primeira presença da evolução

Na Idade Moderna, por sua vez, os primeiros registos aparecem em escritos do cirurgião francês Ambroise Paré e do pai da Odontologia, Pierre Fauchard — quando pela primeira vez descreveu a técnica de confeção de dentes artificiais - documentos redigidos entre os séculos XVI e XVIII.

Do Standard à Primeira Grande Evolução

Até ao século XVIII, a substituição artificial de dentes caídos era efetuada com produtos de origem animal, como o marfim ou o osso, ou através da extração de dentes da boca de uma pessoa morta. Por volta de 1907, Targart aperfeiçoou o método de fundição e assim a prótese saiu definitivamente de algo standard para uma solução definitiva. Começaram a surgir articuladores criados para imitar os movimentos dos maxilares.

Para além de Targart, também Nicolas Dubois de Chérmant começou a explorar novos campos. Neste caso, escolheu a porcelana para desenvolver soluções mais estéticas e com maior resistência. Na evolução dos materiais, é importante referir também a passagem das dentaduras de madeira para vulcanite (1919) e posteriormente para resinas acrílicas (1932).

Atualidade: uma nova era

SÉC. XX: A IDADE DE OURO

No início do século XX, o campo das Próteses Dentárias começou a viver uma idade de ouro. Sobretudo porque foram feitos grandes avanços nos materiais dentários e surgiram novas técnicas de produção cada vez mais refinadas. Ao longo do século, surgiram novas soluções. O processo artesanal começou a sua transformação e adaptação às opções digitais. Atualmente, a tecnologia CAD-CAM é uma das tecnologias mais eficazes para próteses dentárias. Contudo, existem ainda inúmeros laboratórios que possuem a vertente artesanal para honrar as técnicas antigas.

E o próximo passo é...

Seja qual for o futuro da Prostodontia, a certeza é uma: com o avançar da tecnologia, criar próteses dentárias fixas e próteses removíveis será sempre um desafio.

O sucesso vai depender da resposta às necessidades de um mercado em constante evolução e crescimento.